O circo e a Lava-Jato

Em primeiro lugar quero pedir desculpas a todos os artistas circenses, os quais exercem com muita dignidade, uma atividade do maior respeito e admiração. No picadeiro, a grande atração de um ator brilhante e, cujo reconhecimento é público.

A denominada operação LAVA-JATO, admirada e aplaudida por tantos brasileiros, transformou-se num grande espetáculo, tendo como picadeiro, um local, que no mínimo, deveria ser preservado pela própria solenidade que lhe é intrínseca.

Alguns atores que pretendem a transformação ao mitológico. Aos Deuses dos Deuses. Chega a ser grotesco tal comportamento. Chega ao absurdo de incitar um povo, para que escolha um partido, que não é político, como ser contra ou a favor. A favor se amoldariam os horados, honestos e puros e, os contrários, somente os corruptos ou ladrões.

Numa sociedade onde se disseminou o ódio, a intolerância e a radicalização, este espetáculo circense acirra ainda mais o confronto.

Primeiro, é preciso entender que o nosso ordenamento jurídico e, é este o que deve ser aplicado, comtempla toda atividade de perquirição penal, sem o uso de recursos alienígenas. Princípios extraídos de mentes mórbidas, só fomenta o descalabro jurídico que vivemos atualmente. E, o pior, quando tantos dos mais renomados juristas se acovardam nesse enfrentamento. Violam direitos, princípios constitucionais, regras básicas de procedimentos e o silêncio dos justos dorme em berço esplêndido.

Qual a razão para se determinar a prisão preventiva de forma indiscriminada? O estrelato? A mídia? Seria para submeter o cidadão a uma situação em que a sua capacidade de resistência seja minada? O poder investigativo não possui de meios e instrumentos para investigar, sem a necessidade da prisão? A Receita Federal, o Coaf, o Banco Central nunca tiveram informações de tais movimentações? Poupe-me dessa sandice!

Ao acusado não é mais garantido o princípio da inocência em face de r. decisão proferida pelo S.T.F., assentada no temor ao bombardeio da mídia.

Passam a aplicar teorias que não guardam qualquer relação com o direito pátrio. Vulgarizam e ridicularizam a pessoa humana, antes mesmo da instauração de um procedimento investigatória. Imputam condutas, transferindo o ônus ao acusado, o qual, a partir de então, deverá provar a sua inocência. O descalabro de tal ônus é indescritível, postura que regride à época dos Ordálios.

Hoje decisões são emanadas “pelo conjunto da obra”. Nada mais imoral e nefasto para uma nação que pretende garantir estabilidade jurídica ao seu povo. O espírito do legislador, contido nas normas que devem regular a paz social, simplesmente é substituída por um desequilibrado qualquer, num momento qualquer e por um interesse qualquer.

Princípios da honestidade e da moralidade significam o respeito ao ordenamento jurídico, múnus que não pertence aos artistas circenses, mas sim, aos verdadeiros operadores do DIREITO e, cuja aplicação, não pode estar vinculada a concordância de determinados grupos, menos ainda, submetida à concordância de uma mídia pautada por interesses ocultos e escusos.

Nossa sociedade vive hoje, sem que tenha consciência de tal fato, a epidemia da desgraça, do medo, da falta de perspectiva e do alento. Sucumbe ao estardalhaço do circo, do picadeiro e daqueles que fazem o espetáculo do dia a dia.

A cultura da insensatez, da onipotência, da soberba não tem se limitado aos autos de um processo, exatamente onde os fatos devem ser apurados e provados.

Tal é a excrecência de tais procedimentos, que a própria população já confunde a figura do advogado com a do acusado, transformando aquele em réu. E a O.A.B., continua em estado letárgico.

Nossa Pátria não merece esse escárnio, menos ainda, seu povo que continua admirando e aplaudindo os verdadeiros e natos artistas circenses.

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Autor: Luiz Fernando Cassilhas Volpe

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Abandono afetivo do filho pode gerar dano moral

Assim como lar não é a mesma coisa que casa, a família não deve ser vista com mero agrupamento de pessoas que vivem sob o mesmo teto e que possuem uma ancestralidade comum.

É natural ao ser humano a vontade de desenvolver-se o mais plenamente possível, como também a de desejar constituir família em determinado momento da vida, ainda que isso não ocorra com a totalidade das pessoas, e mesmo considerando todas as novas formas de família, algumas bem diferentes das tradicionais, aquela formada por mãe-pai-filhos e demais parentes.

Assim como lar não é a mesma coisa que casa, a família não deve ser vista com mero agrupamento de pessoas que vivem sob o mesmo teto e que possuem uma ancestralidade comum.

Família deve ser muito mais que somente isso. Deve ser a união afetiva de pessoas que possuem afinidades, divergências, e, ainda que haja muita discórdia, que saibam elaborar e resolver satisfatoriamente suas diferenças, porque é no lar, no seio da família, que se exercita em primeiro lugar a prática do convívio, do entendimento, da resiliência, da paciência, do amor etc, e que irão representar, ao final, um expressivo aprendizado para convívio em sociedade.

Portanto, a base, a essência da família é o afeto, o respeito. É por intermédio dessas virtudes que se promovem as condições para o crescimento emocionalmente harmônico e saudável, mediante o qual se desenvolve aptidão para enfrentar com maturidade e discernimento os obstáculos e dificuldades naturais da vida.

Esse afeto precisa ser criado, fomentado e irradiado no seio familiar, sendo absolutamente necessário que seja transmitido à criança desde a gestação, pois já se sabe que o feto tem condições de se sensibilizar pelas emoções sentidas e transmitidas pela mãe, daí a essencialidade de um ambiente doméstico calmo, que transmita segurança, tranquilidade, amor.

Do contrário, estarão sendo germinadas no próprio lar as sementes dos principais problemas que advirão na infância, na adolescência ou na fase adulta do ser eventualmente criado sem afeto, o qual poderá voltar-se não somente contra a própria família, mas contra toda a sociedade, na condição de adulto mais vulnerável aos males sociais, como violência de todo tipo, drogas e outros vícios e desequilíbrios.

Não podemos esquecer que é nesse cenário que serão geradas as pessoas e futuros profissionais que atuarão nas mais diversas áreas, estando no presente a semente do futuro, isto é, bons ou maus médicos, professores, políticos, esposos, pais etc, e muito do que virá será de responsabilidade dos que conduzem a formação moral e o desenvolvimento psicológico da criança de hoje.

Neste contexto, revela-se a sublime importância do papel da mãe e do pai, principais condutores e formadores de nossas crianças, sem esquecer dos demais contribuintes para este processo, como avós ou quaisquer outros que assumam total ou parcialmente o referido papel.

O ordenamento jurídico brasileiro regulamenta os deveres e obrigações dos pais com relação a seus filhos, dentre eles o dever de cuidar, educar e assistir, chamados genericamente de poder familiar, definido pelo respeitável Pontes de Miranda como “conjunto de direitos que a lei concede ao pai, ou a mãe, sobre a pessoa e bens do filho, até a maioridade, ou emancipação deste, e de deveres em relação ao filho1.”

E não há dúvida de que, dentre os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos, no tocante ao crescimento sadio, o principal aspecto consiste no afeto, cujo exercício diário e carinhoso contribui inquestionavelmente para a formação psicológica de um ser melhor, mas cuja ausência ou omissão, por outro lado, pode representar, em síntese, uma vida perdida para as desventuras e infelicidades pessoais, familiares e sociais, com danos, em geral, irreparáveis.

Dessa forma, não é exagero afirmar que o desenvolvimento equilibrado e saudável da criança e do adolescente, resguardado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em seu artigo 3º, dentre outros dispositivos, precisa ser promovido mediante uma convivência familiar diária baseada no afeto.

O abandono afetivo surge justamente pelo não cumprimento do dever dos pais de educar, cuidar, dar amor, afeto e todos os meios necessários para que a criança, o adolescente e o jovem possam se desenvolver plenamente como ser humano, buscando e estimulando suas habilidades nos mais variados âmbitos da vida.

A suscitada situação de abandono afetivo se agrava ainda mais na hipótese de eventual separação dos genitores, principalmente quando a guarda do filho é concedida apenas a um deles, daí a enorme importância do instituto da guarda compartilhada na formação (social, psicológica, moral) dos filhos.

É ela que irá garantir a preservação da convivência deles com os pais, ainda que em momentos distintos, para que assim possam criar ou manter um vínculo mais estreito de afeto e afastar, por inteiro ou em boa parte, pelo menos, a sensação de abandono, de desprezo, de falta de cuidado e de amor, tão prejudiciais aos seres ainda em formação psicológica.

Neste sentido, é de se ressaltar que o fato do genitor ou genitora pagar a pensão alimentícia não o isenta de auxiliar a criança em sua formação moral e psicológica, na construção de sua personalidade e de seu caráter, pois pais são considerados pelos filhos, na grande maioria das vezes, como o exemplo a ser seguido.

Caso assim não seja, havendo abandono afetivo por parte de algum dos genitores, como costuma ocorrer quando um deles forma outro núcleo familiar, o ordenamento jurídico protege as vítimas dessa lamentável irresponsabilidade dos genitores, concedendo-lhes o direito de serem indenizadas por danos morais, previsão contida no artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal.

O dano moral é aquele que se caracteriza pela ofensa a um bem de natureza imaterial juridicamente tutelado pela lei, e pode ocorrer tanto por ação quanto por omissão que signifique ato ilícito, ou seja conduta que não esteja de acordo com a lei, não importa se praticada com intenção (dolo) ou simplesmente por culpa.

A lei obriga e responsabiliza os pais no que toca aos cuidados com os filhos. A ausência desses cuidados configura abandono afetivo, porque viola a integridade psicofísica dos filhos, bem como o princípio da solidariedade familiar, valores protegidos constitucionalmente. Esse tipo de violação caracteriza dano moral2.

Assim, o abandono afetivo constitui clara violação à dignidade – direito e atributo da personalidade, afetando o desenvolvimento psicológico da criança ou do adolescente, sendo firme o entendimento dos Tribunais em acolher a possibilidade de indenização decorrente do referido abandono.

Por fim, é importante destacar que tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 700/07, já aprovado no Senado, assim como o projeto de lei (PL 3212/15), que transformam o abandono afetivo de filhos em ilícito civil, suscetível, portanto, de condenação por dano moral, no caso do pai ou mãe que deixar de prestar assistência emocional ao seu filho, dentre outros tipos de assistência, seja pela convivência seja pela visitação periódica.

O afeto pode até ser opção do pai ou da mãe com relação ao filho, mas o cuidado e a assistência são obrigatórios por força de lei, sob pena do infrator ter de pagar indenização por sua inobservância.

Em outras palavras, o amor pode até ser uma faculdade, uma escolha, entretanto, o cuidado é obrigatório.

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1 Pontes de Miranda (2012, p. 183) poder familiar

2 DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 9 ed. rev. atual e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. p. 471
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Autora: Gisele Nascimento

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O jogo da imitação; castração química e a criminalização dos usuários de drogas

Somos uma sociedade que desconhece a fraternidade, e que precisa, urgentemente, retomar o caminho da união fraternal, antes que nos tornemos, todos, toxicômanos, haja vista, que padecemos, no mínimo, de uma grave miopia social.

A película, o Jogo da Imitação, nos mostra a história fantástica, e o fim trágico de Alan Mathison Turing, matemático, lógico, criptoanalista e cientista da computação britânico. Foi influente no desenvolvimento da ciência da computação e na formalização do conceito de algoritmo e computação com a máquina de Turing, desempenhando um papel importante na criação do computador moderno. Foi também pioneiro na inteligência artificial e na ciência da computação. É conhecido como o pai da computação. Nascido em 23/6/1912, teve papel determinante no resultado da segunda guerra mundial, ao decifrar códigos secretos da Alemanha nazista. Segundo a Wikipedia1:

Durante a Segunda Guerra Mundial, Turing trabalhou para a inteligência britânica em Bletchley Park, num centro especializado em quebra de códigos. Por um tempo ele foi chefe do Hut 8, a seção responsável pela criptoanálise da frota naval alemã. Planejou uma série de técnicas para quebrar os códigos alemães, incluindo o método da bomba eletromecânica, uma máquina eletromecânica que poderia encontrar definições para a máquina Enigma.

Após a guerra, trabalhou no Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, onde criou um dos primeiros projetos para um computador com um programa armazenado, o ACE. Posteriormente, Turing se interessou pela química. Escreveu um artigo sobre a base química da morfogênese e previu reações químicas oscilantes como a Reação de Belousov-Zhabotinsky, que foram observadas pela primeira vez na década de 1960.

A homossexualidade de Turing resultou em um processo criminal em 1952, pois atos homossexuais eram ilegais no Reino Unido na época, e ele aceitou o tratamento com hormônios femininos e castração química, como alternativa à prisão. Morreu em 1954, algumas semanas antes de seu aniversário de 42 anos, devido a um aparente autoadministrado envenenamento por cianeto, apesar de sua mãe (e alguns outros) terem considerado sua morte acidental. Em 10/9/09, após uma campanha de internet, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público, em nome do governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado após a guerra. Em 24/12/13, Alan Turing recebeu o perdão real da rainha Elizabeth II, da condenação por homossexualidade.

A condenação deste eminente cientista britânico, pelo crime de homossexualidade, bem como a pena de castração química, a qual lhe foi imposta, nos estarrece; faz-nos ruborizar de vergonha, nos leva a questionar; como a humanidade pode ter sido tão cruel e insensata na formulação de suas leis, a pouco menos de sete décadas?

A resposta é evidente; embora tenhamos a noção de que fazemos parte de tempos modernos, somos, na realidade, absolutamente primitivos. Galgamos considerável avanço tecnológico nas ciências exatas e biológicas, abrimos as cortinas do espaço tempo e nos assombramos com a imensidão do universo observável, mas somos, ainda, patéticos e carentes de conhecimento na seara das ciências humanas.

Na idade média, pessoas eram condenadas por serem canhotas², tendo essa ideologia, influenciado, inclusive, as ciências criminais³. Hodiernamente, a humanidade, não compreendendo o comportamento humano, em países democráticos, através da população mais embrutecida e, em países ditatoriais, em forma de políticas publicas, vige a perseguição a homo afetividade, revelando-se como perseguição a aquilo que difere de nós, fruto da ignorância, e de uma idéia deturpada, de que o criador, (Deus), abomina o amor entre o mesmo sexo.

² A sugestão bíblica de que a mão direita é divina teve consequências desastrosas na Idade Média. Pela lógica, a Igreja Católica entendeu que a esquerda estava ligada ao Diabo. Durante a Inquisição no século 12 e a caça às bruxas organizada pelos protestantes na América no século 16, vários canhotos foram torturados e queimados como bruxos.

³ No século 19, o médico italiano Cesare Lombroso, conhecido como o “pai da criminologia”, propôs que canhotos possuem maior suscetibilidade a psicopatias, criminalidade e violência. Hoje, esses estudos são considerados ultrapassados, mas estimularam ideias de eugenismo fascista na Europa e até influenciaram o Código Penal Brasileiro de 1940.

Contudo, assim como hodiernamente, vislumbramos, aterrorizados, a imputação de crime de homossexualismo ao cientista britânico, por certo, da mesma maneira, em poucas décadas futuras, nossos semelhantes pensarão em nós, cidadãos do século XX e inicio do século XXI, com o mesmo horror, haja vista a criminalização e marginalização dos usuários de drogas no Brasil e no Mundo.

Clarividente, que a homossexualidade, não possui semelhança intrínseca com o uso de drogas, haja vista que a criatura homo afetiva não opta por amar um semelhante do mesmo gênero sexual. Ele apenas sente em seu íntimo o amor, e por isso, é incompreendido, entretanto, a semelhança, encontra-se extrínseca, no fato, de que, assim como a sociedade de outrora, e o Estado britânico, não compreenderam que a homo afetividade é um estado psicológico normal do ser humano, hoje, nós não compreendemos que a toxicomania é um estado social da criatura humana.

O liame entre as situações, reside, no fato de que, tal qual outrora, usamos do direito penal para tratar problemas que não possuem relação com a criminalidade, haja vista, que a criminalidade, é o ato de cometimento de uma lesão a um bem jurídico, e no uso de qualquer química em busca de prazer imediato, reside, penas a autolesão, sendo que a autolesão, não é penalmente punível.

Todavia, muitos bradam que o toxicômano comete crimes para angariar mais drogas. Ora, pessoas que não usam drogas, também cometem crimes, pelos mais variados motivos, entretanto, não se cogita de lhes cominar penas antes do fato delituoso.

Assim, existem pessoas que sentem prazer na degustação do vinho, podendo vir a cometer crimes depois de embriagado pela bebida alcoólica, entretanto, não se criminaliza ninguém pela ingestão de bebida alcoólica.

Mas então, outros dirão que o toxicômano comete crimes para adquirir mais drogas. Porque não detém meios de sustentar seu vício, haja vista que a drogadição, lhe subtraiu a condição de cidadão, não tendo mais, o toxicômano, uma vida social apta a sobreviver dignamente.

Pois então, aí afigura-se, um semelhante, que necessita de amparo imediato. Porque, encontra-se em condições subumanas, entregando-se as piores praticas a fim de satisfazer a necessidade biológica da química, responsável pela descarga de endorfina na corrente sanguínea, dando a falsa impressão de prazer, em um mundo que perdeu a cor e o sabor.

A criminalização do toxicômano, e a sua marginalização, é um horror tão grande quanto a criminalização da homo afetividade, porque criminaliza-se um comportamento humano que não constitui lesão a nenhum bem jurídico.

O casal homo afetivo apenas ama, portanto, não merece ser criminalizado, o toxicômano, encontra-se debilitado por uma enfermidade social, portanto, também não merece ser criminalizado. Na primeira situação, urge o respeito ao casal que se ama, na segunda ocasião, urge o amparo ao semelhante que não se encaixa em uma sociedade, cujos valores encontram-se inseridos no consumo desenfreado. Logo, fora da cadeia de consumo, não se sente valorizado em seu meio social, e mil questionamentos lhe ocorrem à mente, e vazios de esperança, milhares de jovens, encontram nas drogas o prazer imediato, próprio de uma sociedade absolutamente imediatista.

O caminho para harmonização do tecido social não pode ser outro, senão o abandono de nossas políticas criminais estéreis, passando a lidar com o problema das drogas sob a ótica de um problema de saúde pública.

Enquanto a sociedade civil não acordar para o fato de que, o direito penal não pode ser responsável por resolver nossos problemas sociais, o encarceramento em massa continuará a nos encaminhar para o caos social irrefreável.

A aplicação do direito penal, em seu elemento objetivo, não abarca a complexidade das relações humanas, sendo, portanto, necessária a percepção de que o problema das drogas encontra-se vinculado a questões de foro íntimo do indivíduo. Neste sentido, segue uma valiosa reflexão extraída de obra mediúnica, pelas mãos do Médium, Francisco Cândido Xavier, em que o protagonista da narrativa, André Luiz, ao vislumbrar um crime infame, cometido por uma mulher, pondera: (Livro Os Mensageiros – Coleção o Nosso Lar, pg. 122).4

Se Ana estivesse no mundo, ao meu lado, na família do sangue, não desejaria auxiliá-la? Porque haveria de acusá-la, se não lhe conhecia o passado total? Ter-lhe-iam dado a educação na infância, a bênção do lar, a segurança de um afeto sem manchas? Quem sabe viera de longe, como pedra incompreendida, rolando nos abismos do sofrimento?

O toxicômano é um irmão desafortunado que encontrou nas drogas, o amparo que não encontrou na sociedade. O efeito da droga aufere a ilusão de que tudo esta bem em uma sociedade visivelmente enferma, haja vista que os valores morais se encontram deturpados. E encontram-se deturpados porque a criatura humana, não é valorizada pelo seu caráter, mas sim pelos bens de consumo que conseguiu amealhar. Portanto, somos uma sociedade que desconhece a fraternidade, e que precisa, urgentemente, retomar o caminho da união fraternal, antes que nos tornemos, todos, toxicômanos, haja vista, que padecemos, no mínimo, de uma grave miopia social.

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1 Alan Turing

2 É verdade que os canhotos já foram perseguidos?

3 É verdade que os canhotos já foram perseguidos?

4 (Livro Os Mensageiros – Coleção o Nosso Lar – Chico Xavier).

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Autor: Nelson Olivo Capeleti Junior

Fonte: http://www.migalhas.com.br/

Você, advogado, está infeliz com a sua carreira?

Neste artigo, traremos dicas do que deve ser feito para que você dê um passo atrás, avalie a sua situação e trace uma estratégia vencedora para avançar rumo ao seu sucesso.

Se você acorda martirizado por ser segunda-feira, se pergunta quais são os prazos, audiências e reuniões exaustivas marcadas para aquela semana, sente uma falta de vontade tamanha de sair para trabalhar… e se pergunta o que fazer para resolver isso, esse texto é para você.

Você já fez algum planejamento de carreira? Já parou para refletir sobre os caminhos que deve seguir, a fim de dar o direcionamento desejado a ela? Talvez, você sequer saiba quais são os seus objetivos e aonde realmente quer chegar. Afinal, sempre teve a esperança de que as coisas tomariam naturalmente o seu curso e a vida lhe presentearia com o sucesso e reconhecimento que você acredita merecer. Nada mais justo, porque apesar dos pesares, o seu esforço é permanente para fazer um bom trabalho.

Se você se identifica com a situação descrita no início do texto, a boa notícia é que nunca é tarde para parar de ser conduzido pela sua carreira e, finalmente, sair deste papel de passividade. Portanto, se você é um dos milhares de advogados que anseiam pela mudança, mas não conseguem ver um caminho, não se desespere. Há solução.

Neste artigo, traremos dicas do que deve ser feito para que você dê um passo atrás, avalie a sua situação e trace uma estratégia vencedora para avançar rumo ao seu sucesso.

Mas o que é um planejamento de carreira?

É uma forma de garantir que você aproveite ao máximo a sua vida profissional, tanto agora, como no futuro. Não se trata de um evento único, isto é, de como conseguir um determinado emprego ou uma promoção, mas sim, de uma série de passos que acabam abrangendo um processo vitalício.

É, portanto, uma forma proativa de se agir em sua vida, ao invés de ficar esperando os problemas aparecerem para só então descobrir que precisa corrigi-los. Dessa maneira, o profissional tem muito mais possibilidades de determinar os objetivos desejados, bem como escolher o caminho mais adequado para alcançá-los.

E como fazer isso? É disso que falaremos daqui em diante.

1. Autoconhecimento

Qual grau de controle você acredita ter sobre o seu destino? Se a sua resposta for “nenhum”, provavelmente será carregado pelos mares da vida, até que finalmente encalhe em algum lugar. Como diz Jack Welch, “Controle o seu destino ou alguém controlará”. Se não for isso que você deseja para a sua vida, o primeiro passo é começar a se conhecer melhor.

Somente a partir do autoconhecimento que você pode entender, de fato, o que é importante para a sua vida e aonde quer chegar. Se começar buscando traçar diretamente os seus objetivos, especialmente, se esteve se portando como um sonâmbulo nos últimos anos, o tiro pode acabar saindo pela culatra. Sem conhecer melhor as suas forças e fraquezas, bem como aquilo que lhe motiva, o seu cérebro pode começar a arrumar sabotadores e justificativas, baseadas no medo, frustrando todos os seus planos. Por isso, dar início ao planejamento de carreira com autoconhecimento é fundamental.

2. Valores e Propósito

Encontrar a direção da carreira não é somente compatibilizar o trabalho com alguma força que você tenha. Às vezes, as suas forças e habilidades não combinam exatamente com aquilo que lhe motiva em termos de profissão. Isso pode ser difícil para alguns entenderem. Afinal, se você é bom em algo, não é natural que queira exercê-lo? Nem sempre.

Por isso, é importante descobrir também quais os seus valores e o seu propósito de vida. Fatores como autonomia e independência, segurança e estabilidade, empreendedorismo e dedicação a uma causa podem conduzi-lo ou afastá-lo de certos papéis em sua carreira. É muito importante descobrir o seu propósito, ou seja, o que você quer deixar de legado na sua história, a fim de que ele possa sustentar o seu foco e motivação para vencer as adversidades do caminho.

3. Sonhe e Mãos à Obra

Os sonhos podem lhe inspirar a ser ousado e inovador e é por isso que se deve cultivá-los. Contudo, podem também lhe deixar insatisfeito com a situação atual. Por isso, a sua prioridade deve ser canalizar positivamente o seu desejo de mudança e usar a sua motivação para começar a sair do lugar que você se encontra agora. Ela deve ser o seu grande trampolim para o futuro melhor que você vislumbrou.

Nesta fase, se você estiver em um escritório ou departamento jurídico, é importante pensar em buscar uma solução de ganha-ganha para você, para a sua equipe e para sua organização. Não aja de uma maneira egoísta e destrutiva profissionalmente. No mundo de hoje é sempre importante deixar as portas abertas ao se fazer uma transição. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã. Portanto, tenha cuidado para não deixar de lado as suas responsabilidades. Contudo, não permita que o medo lhe trave. Seja proativo e ousado.

À medida que você começa a direcionar a sua vida rumo àquilo que realmente quer, tudo começa a se tornar mais interessante e você consegue colocar mais energia no desenvolvimento do seu papel. Tome cuidado apenas para não esquecer o equilíbrio em sua vida. Relacionamentos, alimentação, sono e hobbies são ainda mais importantes do que o habitual em um momento tão desafiador. Eles o ajudarão a se manter saudável, feliz e produtivo, enquanto você voa em direção aos seus objetivos.

4. Alcançando os seus objetivos

E qual é a hora certa de parar? A resposta é: depende. Você pode achar que o objetivo que parecia tão distante quando começou, estava logo ali ao seu alcance. Neste caso, defina mais um que seja desafiador, que lhe motive e que gere brilho em seus olhos.

Isso não significa que você precisa ficar sempre buscando por algo maior e maior. A vida é sua. Portanto, é você que decide quando deu. É natural que as suas prioridades mudem ao longo dela e alguns aspectos, que hoje não seriam tão importantes, passem a ser. Reveja o seu plano, os seus objetivos, olhe para dentro de si. O importante é não se encontrar novamente na situação descrita no início do texto. Lembre-se: você não merece isso.

Portanto, busque descobrir aquilo que considera essencial e permita-se ser feliz.

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Autora: Ana Barros.

Fonte: http://www.migalhas.com.br/