Dada como certa entre os familiares, as delações dos marqueteiros André Gustavo Vieira e de seu irmão, Antonio Carlos Júnior prometem ser muito mais devastadoras do que as da Odebrecht e da JBS para políticos pernambucanos.

Depois de FBC, que teve suas íntimas ligações com a Arcos reveladas pela delação da JBS, não é segredo para ninguém que as delações dos marqueteiros podem atingir, em cheio o também senador Humberto Costa (PT-PE), para quem André Gustavo já foi considerado “homem de sua extrema confiança”.

Fontes do Blog informam, sob reserva, que a família dos marqueteiros presos já teriam contratado o criminalista José Caubi Diniz Júnior, de Brasília para negociar todos os termos da delação com a Força Tarefa da Lava Jato, em Curitiba e em Brasília. Os irmãos já foram denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro junto com o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, durante a gestão petista, Ademir Bendine.

Nos meios políticos, a ligação de Humberto Costa com André Gustavo Viera é bastante conhecida. Antes do primeiro governo Lula foi através dele que o marqueteiro chegou ao tesoureiro Delúbio Soares. Até então a agência só tinha a conta de Furnas no Governo FHC e André Gustavo procurava desesperadamente um interlocutor para se aproximar do governo Lula, que acabara de ser eleito. Humberto fez essa ponte e a gratidão foi tanta que Delúbio terminou se tornando padrinho de casamento do marqueteiro numa festa de arromba dada em Brasília. O fato chegou a ser notícia da Folha de São Paulo na qual André Gustavo revela que conheceu Delúbio Soares em 2000, durante a campanha do ex-prefeito João Paulo, à Prefeitura do Recife. André Gustavo revela, ainda, que a Arcos somente conseguiu contas de governos do PT a partir da conquista da conta do BNDES (leia em Delúbio é padrinho de sócio da Arcos).

Com o apoio de Delúbio e Humberto, a Arcos se transformou numa agência nacional ganhando contas da Petrobras, BNDES, dentre outras e mantendo Furnas no seu portfólio. A proximidade entre Humberto e André Gustavo é inegável, a ponto do empresário ter indicado o marqueteiro Amaury Teixeira, ligado à MCI, do também marqueteiro e cientista político Antônio Lavareda, para coordenar a comunicação da campanha de Humberto Costa à Prefeitura do Recife, quando o petista amargou um terceiro lugar, mesmo com o ex-prefeito João Paulo na vice, conseguindo ficar atrás de Daniel Coelho (PSDB) e de Geraldo Júlio (PSB).

Na época, o Jornal do Commercio chegou a publicar uma matéria chamando a atenção para o fato do diretor-executivo da MCI, no caso Amaury Teixeira, ser contratado por Humberto Costa para coordenar a comunicação de sua campanha, já que a MCI era uma agência que, na época, pertencia a Antônio Lavareda, que fora o responsável pela campanha de Carlos Eduardo Cadoca, contra João Paulo, quando a artesã Maria do Socorro, de Brasília Teimosa, foi utilizada no Guia Eleitoral para fazer pesadas acusações contra o petista, depois desmentidas. Na época da indicação do Diretor-Executivo da MCI para a coordenação da campanha de Humberto Costa, segundo o JC, Antônio Lavareda estava próximo ao ex-prefeito João da Costa.

Naquele ano eleitoral de 2012, a ARCOS PROPAGANDA recebeu da Prefeitura do Recife a impressionante quantia de R$ 5.739.309,58, dos R$ 7.385.214,38 empenhados só naquele ano. O prefeito era o petista João da Costa.

A matéria do JC, escrita pela repórter Bruna Serra, chega a chamar o marqueteiro André Gustavo de “homem de confiança do petista”: “Diretor-executivo da MCI Estratégia na capital federal por mais de dez anos, essa é a primeira campanha de Teixeira no Recife. Sua indicação para coordenar a comunicação do candidato Humberto Costa partiu do diretor da Arcos Propaganda, André Gustavo, homem de confiança do petista, que faz questão de ajudar a esconder o guru. ‘Se depender de mim, ele não fala’, garante Humberto.”

Autora: Noelia Brito.

Fonte: http://noeliabritoblog.blogspot.com.br/